Piza aposta em base mantida, exalta respaldo, projeta time forte e dá ultimato a "problemáticos"

Técnico do Botafogo-PB vai para a sua segunda temporada cheia no clube e conversou com o GloboEsporte.com sobre perspectivas para 2020 e análises de 2019

Foto:Raniery Soares / CBN

Mirar 2020. Já é essa a missão do técnico do Botafogo-PB, Evaristo Piza. Respaldado pela diretoria por conta de um grande primeiro semestre, o técnico segue no comando técnico do Belo, mesmo com o fracasso na Série C do Campeonato Brasileiro. A meta é clara: fazer uma temporada mais homogênea, sem queda de rendimento, com uma diminuição na margem de erros.

Em entrevista ao GloboEsporte.com, o treinador falou um pouco da reformulação no elenco, da eliminação na Série C e também do que espera para o ano de 2020. O Botafogo-PB que passa por algumas mudanças administrativas nesse fim de ano. E que passa a ser um novo cenário para o treinador.

Evaristo Piza sempre deixou claro que a prioridade era renovar com o Botafogo-PB — Foto: Vitor Oliveira / GloboEsporte.com

Mesmo assim, Evaristo Piza, acredita em um novo ano bom para o Botafogo-PB. Embora reconheça que a pressão vá ser maior.

- Eu sei que, se eu tropeçar no Paraibano, não passar de fase na Copa do Nordeste, não passar da terceira fase da Copa do Brasil, as coisas podem ficar complicadas. Mas isso seria para mim ou para outro que estivesse aqui. Nosso ano foi muito bom no primeiro semestre. A torcida vai esperar isso novamente. Eu tenho que ser grato à diretoria, que avaliou o ano, o trabalho, que foi bom. E retribuir com muito trabalho - avaliou.

Confira abaixo a entrevista com Evaristo Piza:
O Botafogo-PB já foi ao mercado, vem contratando. Como tem sido esse processo nesse novo momento no departamento de futebol?

É tudo em conjunto. Não é só o Piza, só o Luizinho (Luiz Alencar, analista de desempenho) ou só a diretoria. A gente avalia, vê e escuta. A gente avalia últimos clubes, número de jogos, minutos jogados. Tudo isso pesa. Só quem foge um pouco disso é o Everton Heleno. O Mário Sérgio eu já conhecia, e é um jogador que a gente já havia falado, até antes do Neuton. Mas ele estava com um entorse no tornozelo, e a gente precisava de uma situação imediata naquele momento. Era um jogador que estava sendo monitorado. O Luis Gustavo jogou em São Paulo, também conheço. Teve um bom ano na Penapolense, um zagueiro que joga nos dois lados, forte na marcação.

Everton Heleno é a principal contratação do clube até agora, de olho em 2020 — Foto: Rogério Moroti / Agência Botafogo

O Everton Heleno vem de uma temporada sem jogar, com um grave drama pessoal. É uma aposta válida para 2020?

A gente pensou nele porque é um jogador que sempre foi bem onde passou. Queremos resgatar ele, e acredito que ele pode dar uma resposta. Estamos trazendo ele de volta para o futebol. Ele pagou por um crime que não cometeu. Passou por tudo isso. Ele está há um ano sem jogar, por isso temos um trabalho especial para ele. O Claudinho (Cláudio Creato, preparador físico) já passou uma planilha para ele. O Everton vai se apresentar antes, em outubro, para se readaptar logo, principalmente para o equilíbrio muscular, e depois se integrar com todos.

Ele chega para substituir Marcos Aurélio, à frente dos volantes e mais próximo do gol, ou vai ser utilizado mais como segundo volante?

Preciso ver eles no campo. Onde ele pode funcionar melhor? Se é na função de Marcos Aurélio, mais na frente, se é vindo de trás, como o Marcos Vinícius. No papel, a gente pensa uma coisa, mas no campo a gente olha melhor. Vou observar se ele vai render melhor mais atrás ou próximo dos atacantes. Ele ficou muito tempo parado, preciso ver o que ele vai ter de dificuldades.

A reformulação aos poucos começa a se desenhar. Mas algumas saídas estão certas e são referências técnicas, como Clayton e Marcos Aurélio. Vão chegar jogadores desse nível?

Com a saída de Marco Aurélio e Clayton, a gente precisa repor à altura. E não vai ser fácil. O Everton Heleno veio no papel e na função de segundo volante. Na frente hoje temos, adiantando o Marcos Vinícius, ele. O Erivélton é versátil, pode ser usado aberto, mas também jogando por dentro. Mas temos que buscar mais dois caras que joguem mais à frente. Quero diversificar também mais no próximo ano. Nesta temporada, nosso time, por ter jogado muito mais do que nossos adversários na Série C, foi mapeado. Então eu preciso de jogador que me dá versatilidade.

Clayton foi a grande referência técnica deste ano. Vendido, o jogador gerou receita, mas não fica para 2020 — Foto: Pedro Alves / GloboEsporte.com

Alguns episódios extracampo prejudicaram o time na Série C. Alguns dos envolvidos saíram, mas outros ficaram, a exemplo de Marcos Vinícius e Rogério. É uma última chance dada a eles?

Os dois (Rogério e Marcos Vinícius) já sabem que, se houver outro erro, estão fora. Acho que o ser humano precisa sempre de uma nova chance. São bons jogadores e, independente do externo, ajudaram dentro de campo. Eles me atrapalharam na semana, mas dentro do campo eles corresponderam. O que é atrapalhar a semana? É ter que abrir a semana preocupado em ter que dar satisfação, blindar da imprensa, blindar internamente no grupo. Mas, jogando, eles corresponderam. O duro é o cara que dá trabalho fora de campo e não joga nada. Que enche o saco dentro e fora do campo. Mas os dois tiveram uma performance boa. Eles sabem que a paciência vai ser curta, não só de minha parte, mas da diretoria, que não vai aceitar mais isso.

Algumas renovações não foram bem recebidas na torcida, seja porque foram jogadores que pouco jogaram no ano, ou porque nunca se firmaram, casos de Wellington Cézar e Donato. Qual o critério usado para as renovações deles?

São jogadores que ajudaram, que são jovens. O Donato pecou em alguns jogos, mas pecou como a zaga toda pecou em alguns momentos. Não vou culpar um ou outro. Ele é um zagueiro rápido. Eu acho a chegada do Fred, um jogador de peso, que, em tese, veio para ser titular, talvez tenha deixado o Lula, o Donato, o Willian Goiano inseguros. A partir daí aconteceram alguns erros de bola parada, de indecisões, de lateral. Houve uma instabilidade geral. O gol do Náutico é um gol de escolinha. Não pode acontecer. Mas o Donato é um bom jogador. É difícil você achar um zagueiro rápido. E o Wellington Cézar vinha de muito tempo parado. Neste ano voltou a jogar. Teve oportunidade no Paraibano, depois perdeu um pouco de espaço. Eu acredito que é um jogador que pode nos ajudar. Eu lembro muito do início da carreira dele no Santa Cruz. Um jogador de vigor físico, jogando Série A. Ele pode surpreender neste ano.

Volante Welligton Cézar pouco atuou na Série C, mas fica para o ano que vem — Foto: Pedro Alves / GloboEsporte.com

O atacante Hiago chegou ao clube após anos de tentativa da diretoria. Em tese, para ser titular. Mas não teve muitas chances com o senhor e, quando teve, não foi bem. O que o Hiago pode esperar para 2020 na relação com o senhor?

Eu não tenho nada contra o Hiago. Eu até elogiei muito a contratação dele. É um jogador que vi no Sergipe e depois no Fortaleza. No CSA ele não estava jogando. Quando fomos pegar o CRB neste ano, ele foi lá no hotel, falou do interesse de vir. Ele falou que estava tendo pouca oportunidade, que não entendia o Marcelo Cabo, que tinha jogo que ele ia, entrava, depois nem era convocado. E eu falei para ele: “Não ache que porque você está saindo de um time de Série A, você vai chegar lá e jogar. Nosso time está bem montado, do meio para frente o time está bem. Você vai brigar por espaço”. Quando ele chegou foi perto do jogo contra o CSA, quando nós fizemos o resultado de 3 a 1. E eu falei para ele: “Fizemos o resultado contra a equipe que você estava”. Eu coloquei ele em alguns jogos. Coloquei contra o Sampaio Corrêa, com o time com dois a mais, para ele ser o cara. Ficamos com quatro atacantes. Mas não vencemos. Contra o Santa Cruz botei, mas ele estava tropeçando na bola. Dei oportunidade. Contra o ABC, coloquei Dico e Kelvin, ambos fizeram os gols da vitória. E aí vai perdendo espaço. Ele mesmo se pressionou muito nos treinos e isso atrapalhou ele. Pode ser que ele volte com a cabeça melhor. Vamos ter uma pré-temporada, ele vai jogar mais, vai ter oportunidade. E aí ele vai ter que mostrar que pode ser aquele Hiago do Fortaleza. Ele sempre foi muito profissional. Nunca me deu um trabalho. Sempre foi um profissional exemplar. Mas foram opções técnicas.

Com status de titular, Hiago chegou no Belo, mas pouco atuou pelo clube — Foto: Raniery Soares/CBN

Uma das críticas a você era a sua insistência em colocar o Nando no time titular. Para o próximo ano, ele não fica. O clube pensa em trazer um nome de mais peso para a camisa 9?

A gente precisa trazer um nome para repor o Nando. Mas temos que procurar com muito carinho. É uma posição bem complicada. O Nando foi até muito questionado, e direcionam um paternalismo meu com o Nando. Mas ele era muito importante. Sempre ajudou em vários aspectos. E temos que achar essa reposição. Vamos procurar com calma.

O Botafogo-PB passa por uma mudança institucional no departamento de futebol. Ao que parece, Breno Morais vai mesmo ficar mais distante da pasta. Quem assumiu a vice-presidência de futebol foi Ariano Wanderley. Como você vê essa mudança?

Tivemos reuniões. São contatos naturais. O Sérgio e eu já tínhamos uma relação desse ano. O Ariano eu não conhecia tão bem, mas sei do seu passado no clube. Começamos a conversar diretamente. Ele colocou pontos de vistas, eu alguns, ele alguns. Vamos fazer o futebol juntos. Nunca só o Ariano, só o Piza ou só o Sérgio. Como era minha relação com o Breno. O Breno não estava ativamente porque não pode, mas era um cara que eu conversava muito. Sem ele, essa proximidade tem que ser com Ariano. O futebol tem disso. Tem que haver confiança recíproca. Mas o respaldo só vem com resultado. A confiança veio, e eu mesmo confesso que não esperava. Mas o clube avaliou o trabalho do ano e não apenas o fracasso imediato na Série C. Os números são bons desde a minha chegada. Eu tenho que ser grato. O maior respaldo foi esse. O meu nome não passou só pelo Sérgio, passou pelo Conselho. Teve uma reunião onde houve uma votação no Conselho. E a maioria dos conselheiros falou que era importante a continuidade pelo que aconteceu na temporada. Agora eu tenho que retribuir. Voltar para 2020 com os mesmos objetivos.

Quando começa a pré-temporada?

Vamos esperar esse sorteio aí da Copa do Nordeste, do dia 26. Esperar também a definição da Federação Paraibana de Futebol para falar sobre o estadual. Definindo as datas… eu gosto de sempre começar 40 dias antes da estreia.

Fonte: globoesporte

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