Diretoria do Campinense expõe problemas do clube e revela dívida de mais de R$ 20 milhões

GAECO acusou clube de fraudar informações para receber recursos do Gol de Placa e diretoria não afasta possibilidade de jogar apenas com o time Sub-19 o Paraibano do ano que vem

Os novos presidente e vice do Campinense, Erivaldo Ferreira e Antônio Carlos, abriram a “caixa preta” dos problemas financeiros que o clube tem. E não são poucos. De acordo com Erivaldo, somando tudo que foi encontrado através de uma auditoria realizada nas contas do Rubro-Negro, o Campinense tem acumulada uma dívida que passa de R$ 20 milhões, a maior parte dessas dívidas oriundas de processos trabalhistas, alguns deles já encerrados e que correram à revelia, sem a participação de um representante do clube durante as audiências realizadas na justiça.

- A situação que nós encontramos é muito complicada, mais ainda do que nós estávamos imaginando. Vendo até agora o que a gente já conseguiu analisar a dívida que o Campinense tem ultrapassa os R$ 20 milhões. E eu quero enfatizar que o problema do Campinense nunca foi de falta de dinheiro, tivemos notícias que o clube em algumas temporadas recentes recebeu mais de R$ 14 milhões. O problema aqui sempre foi gestão - declarou o vice-presidente raposeiro, Antônio Carlos.

Erivaldo Ferreira e Antônio Carlos, presidente e vice do Campinense, deram detalhes dos problemas financeiros do clube — Foto: Isaac Falcão / Campinense

Fraude ao Gol de Placa

Outro ponto que chamou muito a atenção durante a entrevista de prestação de contas do Rubro-Negro foi a uma denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público da Paraíba, contra o Campinense. Segundo a denúncia, em várias oportunidades, o clube adulterou informações para poder receber recursos do programa Gol de Placa, do Governo do Estado.

- Só para se ter uma ideia, na denúncia que o GAECO apresentou, em um dos jogos o Campinense apresentou números de CPF (que são usados para trocar por ingressos durante as partidas) de pessoas que morreram há mais de 20 anos. Outro jogo teve torcedor que estava ao mesmo tempo em quatro partidas diferentes. Por tudo isso a gente vai ter que devolver esses recursos ao Estado, valores que aumentam essas dívidas do clube - explicou o presidente Erivaldo Ferreira.

Antigas gestões usaram CPF de pessoas mortas para receber recursos do Gol de Placa — Foto: Isaac Falcão / Campinense

Diretoria ainda não sabe o que fazer

O mandatário raposeiro, que oficialmente só assume a presidência do clube na próxima sexta-feira, demonstrou ainda que não tem um planejamento concreto para administrar o clube, que vive um cenário desastroso do ponto de vista financeiro. Só com questões trabalhistas, de processos movidos na justiça por ex-jogadores e ex-funcionários, são 62 processos, boa parte deles sem possibilidade de recursos.

Erivaldo disse que chegou a analisar, inclusive, a possibilidade de que o Campinense declare falência.
- Se isso aqui fosse tratado como uma empresa de verdade, já teria declarado falência. E sinceramente, eu já conversei com os companheiros e a gente ainda não tem um planejamento para saber como administrar esse clube. Tenho perdido noites de sono, batido em várias portas tentando conseguir ajuda porque a situação não é fácil. Se não tiver nenhum retorno, uma das opções vai ser jogar o Paraibano do ano que vem com o Sub-19 - finalizou o presidente raposeiro.

Se fosse uma empresa de verdade, já teria declarado falência

Diretoria ainda não tem planejamento para administrar o clube — Foto: Isaac Falcão / Campinense

Fonte: globoesporte

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