Após perder um braço e uma perna num acidente, ex-surfista ensina o amor à vida e ao esporte

Paraibano Sérgio Aguiar teve sua carreira no surfe interrompida há 17 anos. Mas seguiu em frente: já praticou triatlo e descobriu na fotografia um jeito de permanecer bem perto do mar

Foto: Reprodução / TV Cabo Branco

"A base do ser humano tem que ser a alegria". Difícil imaginar que quem proferiu essa frase tenha passado por um acidente tão grave que o obrigou a, a partir de então, viver sem um braço e sem uma perna. Mas foi. Há 17 anos, o paraibano Sérgio Aguiar teve a sua carreira no surfe bruscamente interrompida por uma fatalidade, quando ele tinha apenas 25 anos. Sua moto colidiu contra um ônibus. Ele passou 10 dias em coma. A retomada não foi nada fácil. Mas hoje, do alto dos seus 42 anos, ele tenta seguir a vida. Ainda apaixonado e abraçado ao esporte. E envolvido em uma nova paixão - a fotografia -, que o mantém perto do seu lugar preferido: o mar. Agora, ele navega em busca de ancorar as suas imagens com o mesmo talento com que conduzia a prancha. E, neste início de 2019, dá uma demonstração clara de que é preciso sempre seguir em frente. E com um sorriso no rosto.

O recomeço poderia se desenhar de forma lenta, mas o ex-surfista preferiu apressar o passo para se redescobrir. O esporte era sua certeza absoluta. Prosseguiu pela mesma via, contrariando qualquer possibilidade de presunção aos seus limites.

- Primeiro eu pensei em minha mobilidade. Voltar a andar e trabalhar. Mas, como o esporte está dentro do meu ser, na cadeira de rodas eu coloquei um peso de 4kg na minha perna: levantava, no terraço da casa da minha mãe, pulando de um canto para o outro. A volta para o esporte foi assim - relatou.

As dificuldades também trouxeram medo durante essa jornada. Sérgio transparece tanta serenidade e alegria hoje em dia, que as adversidades até parecem ter passado despercebidas. A chegada de Tereza, sua esposa, e os consequentes frutos dessa relação, os filhos Maluh e Kael, explicam a prevalência do sorriso em todas as repostas.

Sérgio Aguiar encontrou na fotografia um recomeço — Foto: Reprodução / TV Cabo Branco

- Teve um momento em que eu pensei em desistir, não vou mentir. As coisas estavam muito difíceis. Mas papai do céu mandou um anjo que me trouxe muito amor, carinho, compreensão e dois filhos maravilhosos. O amor como eu conduzi a vida, após o acidente, a vida me devolveu através dessa pessoa linda e maravilhosa - disse, abrindo o coração.

Após 17 anos do ocorrido, Sérgio brinca que a sua idade é contada apenas a partir do momento em que sobreviveu ao acidente. Afinal, ele nasceu de novo. É claro que o seu coração se entristece por não poder surfar como antes. Mas foi em seu habitat mais aprazível que conseguiu reavivar o seu amor pelo esporte. Foi no triatlo, depois de exercitar a sua força, na casa da sua mãe, que ele tornou às atividades. Durante uma etapa do Campeonato Paraibano de Surfe, na Praia de Intermares, em João Pessoa, um momento especial o esperava.

- O evento parou só para eu poder fazer essa prova. Pedalei um percurso, saltei seis obstáculos de um metro e finalizei dentro do mar. Foi fantástico. Foi lindo demais - relembrou Sérgio, sorridente.

Sérgio Aguiar segue abraçado aos esportes — Foto: Reprodução / TV Cabo Branco

No mapa desse novo momento da sua vida, Sérgio Aguiar se encontrou à beira-mar com uma máquina fotográfica em mãos. Se deparou com um cenário comum ao que vivenciou ao longo da vida, como surfista. Agora, como nato apreciador. Fã do mar e dos esportes nele praticados, decidiu capturar e eternizar as suas paixões passou a ser o seu modo mais intenso de seguir em frente.

- Fotografar os atletas surfando me satisfaz. É como se preenchesse esse vazio que o acidente me proporcionou de hoje não poder surfar - confessou o ex-surfista.

Sérgio e Tereza têm dois filhos: Maluh e Kael Aguiar — Foto: Reprodução / TV Cabo Branco

Apoio dos amigos

A luta de Sérgio Aguiar agora é pela qualificação da sua carreira como fotógrafo. Ainda sem uma câmera à altura do trabalho que pensa em desenvolver, tem recebido suporte em prol da compra do seu equipamento. Fábio Gouveia, campeão mundial amador de surfe, em 1987, foi um dos que ajudaram. Na oportunidade, doou uma prancha em proveito do amigo.

O presente recebido de Fábio Gouveia vai ser rifado, com a consentimento do amigo. Mas não há um valor fixo para quem quiser participar do sorteio da pracha e ajudar Sérgio Aguiar. Qualquer quantia piode ser depositada na conta do ex-surfista (Banco do Brasil, Agência 3501-7, Conta corrente 25976-4, CPF 839.528.294-04) e o comprovante do depósito vai servir como um cupom para o sorteio, previsto para o fim de janeiro.

O montante arrecadado vai ser revertido para a compra de um equimamento mais moderno para que Sérgio Aguiar possar dar continuidade ao seu trabalho como fotógrafo e siga sendo exemplo de persistência. Tudo por amor ao esporte.

Fonte: Ge

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