Tite renova pontas e põe fim a cinco anos de convocações seguidas de Willian


Meia-atacante do Chelsea não ficava fora da seleção brasileira desde outubro de 2013, ainda com Felipão; com lesão de Everton, comissão técnica preferiu dar chance a Lucas Moura

Willian em jogo do Chelsea contra o Southampton — Foto: Getty Images

Parecia faltar alguma coisa no primeiro treino da seleção brasileira, na última segunda-feira, em Londres. Faltava Willian. Não se trata de opinião, se ele deveria ou não estar lá, mas da estranheza da ausência de quem não ficava fora de nenhuma convocação há exatos cinco anos, desde outubro de 2013.

Willian não se machucava, não ficava suspenso, esteve sempre à disposição de Luiz Felipe Scolari, Dunga, e depois Tite, que, para os amistosos contra Arábia Saudita e Argentina, excluiu da lista o jogador do Chelsea e pôs fim a essa longa sequência. Sinal de renovação.

O corte de Everton, do Grêmio, por lesão, poderia ter aberto a brecha para Willian retornar, mas Tite e seus auxiliares optaram por Lucas Moura. O coordenador Edu Gaspar garantiu que a convocação nada teve a ver com o fato de a Seleção estar treinando no CT do Tottenham, clube do atacante.

– Zero. Estávamos observando há algum tempo, ele bateu na trave outras vezes – disse.

Nos últimos cinco anos, Willian só ficou fora de uma lista que tinha apenas jogadores de clubes brasileiros.

Isso significa que o jogador do Chelsea foi convocado dos 25 aos 30 anos ininterruptamente. Um feito. Nesse período, disputou duas Copas do Mundo – reserva em 2014, titular em 18 – e foi quem mais entrou em campo. Agora, seu lugar não é mais tão cativo assim.

Willian desde novembro/2013:

Convocações seguidas: 25*

Jogos disputados: 62

*A exceção: em janeiro de 2017, o Brasil enfrentou a Colômbia em amistoso apenas com jogadores de equipes dos dois países. Willian, portanto, não podia ser chamado.

Para executar sua função, em sua posição, a de um atacante pelos lados do campo, o futebol brasileiro tem produzido uma leva de novos talentos.

Aos 22 anos, o cortado Everton, melhor jogador do Grêmio em 2018, é um deles. Nesse atual grupo da Seleção, ainda há Malcom, que, depois de um título brasileiro no Corinthians e destaque individual no Bordeaux, foi para o Barcelona, e Richarlison, que, embora tenha atuado como centroavante nos amistosos de setembro, joga mais aberto no Everton. Malcom e Richarlison têm 21 anos.

Lucas cumprimenta Casemiro ao se apresentar à seleção brasileira, no CT do Tottenham — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Sem falar em Lucas Moura, de 26, eleito o melhor jogador do primeiro mês do Campeonato Inglês e convocado pela primeira vez por Tite.

O professor ainda está de olho em tantos outros: David Neres, do Ajax, tem sido citado com frequência, e Vinícius Júnior, do Real Madrid, recebe atenção constante da comissão técnica.

Aos 30 anos, Willian continua em alta no Chelsea. Terminou bem a temporada passada e ganhou um lugar de titular na equipe treinada pelo italiano Maurizio Sarri, que tem jogado bom futebol e briga pela liderança da liga com Manchester City e Liverpool – os três têm 20 pontos.

Porém, suas atuações na Copa do Mundo não foram o que se imaginava. Com exceção do jogo contra o México, nas oitavas de final, quando deu uma assistência e conseguiu ser decisivo individualmente, Willian não manteve o brilho do primeiro semestre.

Com tantos jovens e a realidade de que terá 34 anos na Copa de 2022, no Catar, Willian terá de ser muito convincente dentro de campo para voltar a ocupar o lugar que foi seu por tanto tempo.

globoesporte

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